Vitamina C - qual a medida certa?
Basta o inverno aproximar-se que muitas pessoas já pensam em intensificar o consumo de vitamina C, almejando com isso aumentar a proteção para a saúde e os benefícios contra o envelhecimento.
Esta opinião diverge entre os especialistas. Alguns são favoráveis a super dosagens e outros não. Os que não aprovam este tipo de conduta alegam que o uso desregrado de vitaminas virou modismo e pode prejudicar a saúde. “As pessoas preferem consumir cápsulas a descascar uma laranja ou lavar alguns morangos, lamentável“! – dizem com indignação.
A vitamina C tem como principais funções, auxiliar o organismo na resistência às infecções, na formação dos ossos e dos dentes, na cicatrização de ferimentos, na integridade das gengivas, além de sua importante ação antioxidante protegendo as células contra os danos causados pelos radicais livres. Tê-la presente na alimentação e no corpo é fundamental, porém o consumo abusivo é desnecessário.
Estudos recentes da FAO, órgão das Nações Unidas para agricultura e alimentos, recomendam o consumo médio diário de 45mg da vitamina para um adulto. O consumo de 1 laranja ou de 5 a 6 morangos é capaz de suprir o que o corpo necessita desta vitamina no decorrer do dia todo. Segundo a nutricionista Aurelizia Xavier, professora da UFF, Universidade Federal Fluminense, mesmo sendo baixo o nível de toxicidade da vitamina C, ela considera que a utilização de superdoses (maiores de 2g) pode causar problemas renais, para quem possui esta tendência e até diarréia.
Já o nutrólogo e membro da Associação Brasileira de Oxidologia, Alberto Serfaty, defende a utilização de doses altas da vitamina para combater a ação nociva dos radicais livres, mas destaca a importância de acompanhar exames clínicos dos pacientes, garantindo a integridade do corpo. Para Alberto, mesmo a quantidade da substância que não é absorvida, possui ação antioxidante quando passa pela ação dos rins e pelo intestino.
Mesmo frente a diferentes opiniões, um consenso é claro: uma alimentação saudável e hábitos de vida saudáveis, são fundamentais para o bem-estar do corpo.
Uma boa alimentação e que preza por diversidade nas escolhas, pode suprir a necessidade do corpo referente a todos os nutrientes, vitaminas e minerais, segundo os parâmetros da Pirâmide dos Alimentos. Em casos de patologias, a suplementação de componentes alimentares pode realmente ser necessária, porém, independente de qual seja a indicação para o uso, suplementos alimentares só devem ser utilizados com orientação de um médico ou nutricionista. Super dosagens de nutrientes ainda são questionáveis e merecem estudos científicos complementares.
Fonte: Jornal do Brasil.
Texto revisado por Nícia Padilha.